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Entrevista para a Revista Tema

Postado em por & marcado em mídia, Projeto Radiohead - Rain Down, projetos colaborativos, vídeo.

Visualização da revista online: http://tema.serpro.gov.br/pub/serpro/index.jsp?ipg=1160

Download (pdf):  http://tema.serpro.gov.br/temp_site/edicao-38.pdf

Agradecimentos a Regina Faria da Revista Tema, que realizou a entrevista comigo. Obrigado por sua gentileza.

Texto:

por Regina Faria

Cenas do projeto Rain Down, o multicam do Radiohead 44 JUL/AGO 2012 show da banda Radiohead foi tão bom que, ao chegar em casa, a vontade era de continuar curtindo o som, relata Andrews Ferreira Guedis, lembrando­ se do evento de 2009, em São Paulo.

Comecei a caçar vídeos que as pessoas tivessem gravado e postado na internet. Fiz a junção de alguns trechos e coloquei no Youtube?, conta Andrews. No dia se­guinte, minha caixa de e-mail estava lotada, com muita gente pedindo o DVD completo?.

Meses de­ pois, o fã disponibilizaria na rede vídeos extensos não só do show paulista, mas também do carioca, com a compilação de mais de 700 arquivos grava­ dos por celulares e outros dispositivos móveis, enviados por cerca de 400 expectadores.

A crítica elogiou o trabalho, destacando a mul­tiplicidade de olhares em uma edição dinâmica, que valoriza a pulsação da música e o efeito da platéia contagiada?.

Andrews continuou a fazer o que os adeptos chamam de multicam, sempre de bandas que lhe agradam como Smashing Pumpkins ou Muse.

E respeitando a premissa sagrada de distri­buir o produto final gratuitamente, além de menci­onar o nome de todos os que enviaram material para cada música.

Quando edito, tento utilizar os arquivos do maior número possível de pessoas?, acrescenta Na­ lini Vasconcelos, que começou a fazer multicams com a mesma motivação de Andrews: ter mais material da banda preferida após o show.

Nalini co­meçou recrutando material dos amigos e hoje faz vários trabalhos colaborativos, entre os quais se destaca uma multicam do show do U2, que teve apoio para divulgação do site U2br, para o qual escreve.

Hoje em dia, em todo o país, tem sempre alguém editando um vídeo colaborativo desses?, constata Nalini. E a idéia também tem muitos adep­tos pelo mundo, em escalas variadas.

O recurso de contar com a diversidade dos olha­res da platéia para compor vídeos criativos acabou sendo incorporado por produtores, tanto de grandes estrelas da música quanto de artistas do merca­ do independente.

O site oficial de Michael Jackson exibe um vídeo para o qual colaboraram 1500 fãs, que aparecem dançando e cantando como o ídolo fazia, em uma homenagem póstuma ao cantor.

Com menos trabalho de edição, mas facilitando muito a interatividade instantânea, a banda australiana C­Mon & Kypski disponibiliza uma página com o passo a passo para que o internauta ligue sua webcam e envie seus frames, imitando os gestos dos integrantes da banda.

Feita dessa forma, a vídeo música More Is Less já tem quatro minutos de duração, algumas centenas de colaboradores e a perspectiva de crescer indefinidamente.

Talvez pela atual facilidade de coletar imagens, a multicolaboração em forma de vídeo é a que mais rapidamente se encontra na internet.

Mas a idéia de criar coletivamente parece ter sua gênese na música e no sonho de escrever um texto em grupo, idéias que estão vivas na rede desde o início dos anos 2000.

Em 2002, por exemplo, Tom Zé lançou o álbum Jogos de Armar, contendo um CD conven­cional e um segundo disco com trechos de instru­mentos e vozes abertos à utilização de quem se interessasse, com um literal ?convite a meter a mão?.

Já Hermeto Pascoal liberou em seu sítio as partituras de sua obra, acompanhadas de autoriza­ção de próprio punho para o uso de todas as músi­cas e um apelo para que ?aproveitem bastante?.Em outros endereços, como no colaborativo Overmixter, há espaço para compartilhamento de samples e remixes.

Porém, essas ferramentas ainda não são utilizadas em todo seu potencial, segundo Felipe Obrer, consultor de comunicação que estuda o mundo multicolaborativo.

Iniciativas como premiações e eventos são necessárias para animar a criação coletiva.

Há sempre o problema do tempo disponível dos criadores e a necessidade de alguma forma de
retorno, não necessariamente monetário, para que essas iniciativas continuem pulsantes?,
constata Felipe.

Artesãos Digitais Em termos de escrita, projetos de autoria coletiva continuam a surgir na internet, embora seja muito freqüente encontrar textos que não resultaram em publicações como originalmente se pensou.

Apesar dessa constante, há projetos como o Join2write, construído por portugueses, que prima pela organi­zação e está em plena atividade colaborativa: pro­ põe tema, estilo, tamanho e faz uma prévia seleção dos textos enviados pelo site da iniciativa para fazer parte de um livro colaborativo.

O grupo já conta com três de sete capítulos projetados e permanece aberto à participação de escritores interessados.

Iniciativas de arte colaborativa produzida pela rede, seja a edição de multicams ou de livros
escritos a várias mãos, encontram tradução em linguagem poética nos 25 tópicos que compõem o Manifesto dos Artesãos Digitais, publicado em 1997 por Ri­chard Barbrook e Pit Schultz.

Diz seu primeiro artigo: ?Somos os artesãos digitais.

Vamos homenagear o poder prometéico do nosso trabalho e da nossa imaginação moldando o mundo virtual.

Hackeando, codificando, fazendo design e mixando, nós cons­truiremos um mundo conectado por nosso próprio esforço e inventividade?.

Cenas do projeto Behind the Mask, dos fãs de Michael Jackson(1); e cenas do multicam do U2 360º (2)

ROTEIRO DE ARTE COLABORATIVA

De multicam de show de rock a reflexões sobre a autoria coletiva, confira alguns pontos de partida para conhecer mais sobre produções em grupo ?

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